Cultura
A cultura de um povo pode ser considerada como um
tesouro inesgotável, transmitindo raízes e ensinamentos que encantam jovens
e idosos. Em todos os seus aspectos, artísticos ou outros, tanto de criação,
quanto de admiração e divulgação, fortalece a identidade pessoal e social
do indivíduo e o integra em sua família e em sua comunidade, fornecendo-lhe,
por meio do bem estar mental e social, condições de bem estar no mundo
e de saúde.
Vários foram os conceitos dados à cultura nos últimos anos, entretanto,
apesar da diversidade de definições, não há um consenso sobre a representação
teórica do termo. O primeiro a formular um conceito foi Edward Tylor,
definindo-a como um complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a
arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões
adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade (MARCONI; PRESSOTO,
1989).
Posteriormente outros estudiosos tentaram definir o termo usando enfoques
diferentes; contudo, não se pretende, nesse momento, fazer uma contextualização
da evolução do conceito. Para tanto, considera-se como definição básica
e simples, a do Aurélio (2009) que a classifica como algo “próprio do
povo, ou feito por ele”.
Contemplando essa definição como ponto de partida para o estudo, acredita-se
que analisar as realizações do povo permite chegar a chamada cultura popular,
o que, segundo Martins (2008) caracteriza-se por manifestações populares
que persistem no tempo e mantêm-se vivas na sociedade, sejam essas manifestações
materiais, sejam imateriais. E, para ser classificada como popular uma
manifestação tem que ter circulação em diversas classes sociais, e não
apenas na chamada classe popular em oposição à classe dominante.
Entretanto, toda cultura pode e deve ser preservada, demonstrando aos
interessados a evolução que uma determinada sociedade sofreu, além de
destacar a origem de certas tradições e conceitos que perduram até hoje.
Diante dessa preocupação, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios
– ICOMOS (apud MAIA, 2003, p. 1), diz que “preservar é a palavra-chave
quando se pensa em memória, e remete à idéia de proteção, cuidado, respeito.
Preservar não é apenas guardar algo, mas também fazer levantamentos, cadastramentos,
inventários, registros, etc.”. Prosseguindo, o mesmo conselho considera
que esse patrimônio é um “testemunho vivo da herança cultural de gerações
passadas que exerce papel fundamental no momento presente e se projeta
para o futuro, transmitindo às gerações por vir as referências de um tempo
e de um espaço singulares, que jamais serão revividos, mas revisitados,
criando a consciência da intercomunicabilidade da história”.
Um dos principais mecanismos de preservação da cultura e do seu patrimônio
é por meio de instituições, podendo-se citar os museus como ícones dessa
função primordial. Contudo, Maia (2003, p.03) destaca que cabe ao Poder
Público, através dos meios de comunicação, de exposições e cursos, sensibilizar
a população para a importância do assunto. Diante da percepção do direito
à memória, garante-se que a comunidade tome consciência do seu papel fundamental
de guardiã do próprio patrimônio, passando então a impedir a degradação
e a destruição do meio ambiente, imóveis e objetos culturais, numa ação
de salvaguarda preventiva.
Nesse sentido a relação entre cultura e museu, é latente, pois ele representa
a “relação inquieta do homem com o mundo que o cerca e que o define socialmente.
O museu contém uma força simbólica tal qual uma cercadura mágica para
protegê-lo da angústia do desaparecimento, da finitude”. (CASTRO, 2007).
A sociedade, por sua vez, obtém no museu uma das formas de se reconhecer
enquanto representação coletiva de suas classes sociais, ao se expressarem
culturalmente.